Internet, uma prática inclusiva: compreendendo as TIC como elementos estruturantes do conhecimento.
“... meios audiovisuais deixam de ser apenas mais um instrumento didático, um auxiliar, um complemento, exigindo uma interação que permita, mais do que olhar imagens, decodificá-las, analisá-las e reconstruí-las visando à produção de novas mensagens e informações.”.
(COUTINHO, 1998)
No inicio da humanidade, levavam-se muitos dias e até meses para as mensagens enviadas chegarem. Essas eram enviadas por meios de comunicação muito rudimentares, que na maioria das vezes a notícia e/ou informação não chegava e se chegava o fato já havia acontecido. Neste contexto e com o passar dos anos a humanidade procurou mecanismos, meios de comunicação mais rápidos para que as notícias chegassem, no mínimo a tempo.
Assim, veio o telefone de Graham Bell, o rádio, o telegrama, a carta via Correio, a televisão, somente depois apareceram os telefones móveis: os chamados celulares e em tempos de tablet, ipad, smartphone, podemos destacar aqui a maior revolução dos meios de comunicação: a Internet .
Esta surgiu nos Estados Unidos, na época da Guerra Fria, abrigada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos através da Advanced Research Projects Agency (ARPA) e de lá até os dias de hoje a Internet só vem crescendo, sendo incalculáveis os números de computadores conectados a rede, uma vez que podemos navegar até mesmo pelos telefones celulares.
Segundo Barreto (2001), a Internet pode ser considerada entre outros elementos, uma tecnologia inteligente, já que sua presença é bastante significativa em nosso cotidiano, através dela realizamos: pesquisas, trabalhos escolares, assistimos filmes, lemos um livro, um gibi, uma noticia, compramos, realizamos transações bancárias, enviamos um email, enfim tudo isso sem sair de casa, basta estar conectado.
Para Lima Júnior apud Barreto (2001), a Internet exemplifica uma tecnologia intelectual porque [...] interfere na forma humana de pensar, desencadeando o surgimento de uma nova economia cognitiva e, por outro lado, porque possui uma estrutura que imita o funcionamento cognitivo humano, como uma rede.
Mas será que tanta acessibilidade é de fato para todos? Será que esta tecnologia inteligente atravessará os muros das escolas públicas do nosso país? Os professores realmente estão preparados para tanta tecnologia? E as pessoas com deficiência poderão usufruir deste elemento estruturante no processo de construção do seu conhecimento? É partindo destas reflexões que debruçaremos sobre o texto.
Para que isto verdadeiramente aconteça é necessário o que nos diz Coutinho (1998), uma alfabetização audiovisual. Porque alfabetização? Hoje não é mais um meio de comunicação para poucos, a Internet não está mais segregada como há dez anos. Quem ainda não tem Internet em casa, faz uso dela no trabalho, na escola ou na lan house. No entanto, é preciso avançar... é preciso que os “... meios audiovisuais deixem de ser apenas mais um instrumento didático, um auxiliar, um complemento, exigindo uma interação que permita, mais do que olhar imagens, decodificá-las, analisá-las e reconstruí-las visando à produção de novas mensagens e informações.”. Ou seja, faz-se necessário que o sujeito seja inserido neste universo digital e que construa novos saberes mediante a este turbilhão de informações.
E neste mundo cibercultural novos comportamentos de leitor e escritor estão surgindo, os textos agora são hipertextos (...) um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficas ou partes de gráficos, seqüências sonoras e documentos complexos. (LÉVI, 1993 p.33).
E diante desta nova conjectura é relevante saber selecionar a melhor informação, ou seja, aquela que melhor corresponda a nossa expectativa. É preciso saber manejar os links e interpretar os textos contidos nos sites.
Não obstante, o leitor virtual pode também acessar várias páginas de relacionamento como: Messenger, Blogger, Orkut, YouTube, Facebook ,Twitter.... Permitindo que o mesmo, deficiente ou não, interaja com outras pessoas a longa distância, mediante debates, enquetes e/ou fóruns nas comunidades, não há limite para este meio de comunicação.
Mas, como fica a instituição escolar neste novo contexto social, em que as tecnologias de informação e comunicação fazem parte do cotidiano dos alunos? A Escola está realmente preparada? Que/quais conteúdos devem estar presente no currículo para atender esta nova demanda?
Pensamos que as tecnologias, dentro de um projeto pedagógico inovador, facilitam e estimulam o processo de ensino-aprendizagem. Neste sentido, a internet introduz interatividade no aprendizado, propiciando o diálogo ativo com o mundo do conhecimento, apresentando informações através de um contínuo canal de escolhas individuais.
Então pensar na educação e na tecnologia é compreender acerca da aprendizagem que, ao invés de enfatizar conteúdos, resultados, quantidades de noções, informações e conceitos a serem memorizados, repetidos e copiados, reconhecem a importância do processo, de uma metodologia voltada para a qualidade da aprendizagem, que valoriza a pesquisa e os trabalhos em grupos. Isso implica em programas, em horários e em currículos mais flexíveis e adaptáveis às condições dos sujeitos, respeitando-se o ritmo individual e grupal do trabalho e o processo de acomodação do conhecimento.
Portanto, assim como a sociedade e a educação se modificam com a inserção das tecnologias no seu contexto, os currículos também sofrem modificações, visto que a aprendizagem reconfigura a formação de um novo sujeito, que aprende a partir das interações com os outros sujeitos na construção de uma rede interativa de conhecimentos.
Desta forma, a proposta curricular para o trabalho com as tecnologias deve atender às demandas da educação atual. A interatividade, a rede colaborativa de aprendizagem, o conteúdo didático, a identidade do educando são elementos constituintes desse novo currículo. Um trabalho que seja multirreferencial.
O currículo dentro desta perspectiva torna-se aberto, interativo e transitório, aproxima-se das necessidades do educando a fim de promover um crescimento no seu conhecimento e na sua singularidade. Para esta estrutura, fundamenta-se uma concepção epistemológica do conhecimento que parte da ciência complexa, da verdade relativa e do constante movimento inter-relacional dos sujeitos com o mundo.
Assim, o currículo dentro das novas tecnologias do processo ensino-aprendizagem pode possibilitar uma educação que transcenda as fronteiras sociais, políticas e econômicas existentes na nossa sociedade. Porém temos em mente que, não será única e exclusivamente as mídias que proporcionarão mudanças. É necessário um repensar coletivo e colaborativo, por parte dos sujeitos da aprendizagem, para a superação da condição de alienação e exclusão social na qual grande parte da população se encontra.
Portanto conclui-se que, a nova tecnologia nos permite navegar e determinar caminhos a seguir de acordo com os nossos interesses e nosso próprio ritmo. Enfim, é descoberta, é pesquisa, é conhecimento, é participação, sensibilizando assim, para novos assuntos, novas informações, diminuindo a rotina e nos ligando com o mundo, trocando experiências entre si, comunicando-se, enfim, educando-se.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BARRETO, Edna Soares. A escola e as tecnologias inteligentes. In:______.Educação e Cibercultura. Salvador: EDUFBA, 2001.
COUTINHO. Laura. Televisão de mão dupla. In: TV e Informática na Educação. Série de Estudos Educação a Distância. Salto para o Futuro. . Brasília: Ministério da Educação e Cultura: Secretaria de Educação a Distância, 1998.
LÈVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência – o futuro da inteligência coletiva na era da informática. Tradução Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.




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