domingo, 4 de dezembro de 2011

Maria Elizabeth de Almeida fala sobre tecnologia na sala de aula

Em um mundo cada vez mais globalizado, utilizar as novas tecnologias de forma integrada ao projeto pedagógico é uma maneira de se aproximar da geração que está nos bancos escolares. A opinião é de Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, coordenadora e docente do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Defensora do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) em sala de aula, Beth Almeida faz uma ressalva: a tecnologia não é um enfeite e o professor precisa compreender em quais situações ela efetivamente ajuda no aprendizado dos alunos. "Sempre pergunto aos que usam a tecnologia em alguma atividade: qual foi a contribuição? O que não poderia ser feito sem a tecnologia? Se ele não consegue identificar claramente, significa que não houve um ganho efetivo", explica.

Nesta entrevista para NOVA ESCOLA, a especialista no uso de novas tecnologias em Educação, formação docente e gestão falou sobre os problemas na formação inicial e continuada dos professores para o uso de TICs e de como integrá-las ao cotidiano escolar.

O que é o webcurrículo?
MARIA ELIZABETH BIANCONCINI DE ALMEIDA
É o currículo que se desenvolve por meio das tecnologias digitais de informação e comunicação, especialmente mediado pela internet. Uma forma de trabalhá-lo é informatizar o ensino ao colocar o material didático na rede. Mas o webcurrículo vai além disso: ele implica a incorporação das principais características desse meio digital no desenvolvimento do currículo. Isto é, implica apropriar-se dessas tecnologias em prol da interação, do trabalho colaborativo e do protagonismo entre todas as pessoas para o desenvolvimento do currículo. É uma integração entre o que está no documento prescrito e previsto com uma intencionalidade de propiciar o aprendizado de conhecimentos científicos com base naquilo que o estudante já traz de sua experiência. O webcurrículo está a favor do projeto pedagógico. Não se trata mais do uso eventual da tecnologia, mas de uma forma integrada com as atividades em sala de aula.

O uso das TICs facilita o interesse dos alunos pelos conteúdos?
MARIA ELIZABETH
Sim, pois estamos falando de diferentes tecnologias digitais, portanto de novas linguagens, que fazem parte do cotidiano dos alunos e das escolas. Esses estudantes já chegam com o pensamento estruturado pela forma de representação propiciada pelas novas tecnologias. Portanto, utilizá-las é se aproximar das gerações que hoje estão nos bancos das escolas.

Como integrar efetivamente essas tecnologias ao currículo escolar e ao projeto pedagógico?
MARIA ELIZABETH
A primeira coisa é ter a tecnologia disponível. É por isso que não se observam resultados tão favoráveis quando há apenas um laboratório para toda a escola. A tecnologia tem de estar na sala de aula, à mão no momento da necessidade. Pode ser um pequeno laboratório na sala ou um computador por aluno. Não estou falando exclusivamente de computador, mas de diversas tecnologias digitais.

A ideia do computador como o único acesso às TICs é ultrapassada?
MARIA ELIZABETH
Sem dúvida! Não que o laboratório não deva existir. Ele precisa estar na escola, mas passa a ser ressignificado. O laboratório é para uma atividade mais sofisticada, que exige recursos de uma reconfiguração, digamos, mais pesada e atualizada. Essa tecnologia precisa estar à mão para a produção de conhecimento dos alunos à medida que surja a necessidade.

Isso pressupõe um alto investimento, incompatível com a infraestrutura de muitas escolas.
MARIA ELIZABETH
O porcentual de alunos em escolas muito precárias é pequeno. Em termos de política pública, não há solução única. É preciso buscar ações diferenciadas. Há que superar esses desafios quase simultaneamente e trabalhar em duas frentes: recuperar atrasos, alguns bem antigos, e inserir essa nova geração na sociedade digital.

Os telefones celulares já são amplamente acessíveis e oferecem muitas possibilidades didáticas - o trabalho com fotos, filmagens, mensagens e mesmo com a internet -, mas a maioria das escolas prefere proibi-los. Não é uma atitude retrógrada?
MARIA ELIZABETH
Vetar o uso não adianta nada porque o aluno vai levar e utilizar ali, embaixo da carteira. É preciso criar estratégias para que os celulares sejam incorporados, pois oferecem vários recursos e não custam nada à escola. A proibição só incentiva o uso escondido e a desatenção na dinâmica da aula. Geralmente os estudantes, inclusive de escolas públicas, têm celular e o levam a todos os lugares. Ele é o instrumento mais usado pela população brasileira. Basta olhar as estatísticas. O que o webcurrículo prevê é o uso integrado da tecnologia. Os alunos, com seu celular, podem fazer o registro daquilo que encontram numa pesquisa de campo. Podem trabalhar textos e fotos e preparar pequenos documentários em vídeo. Isso precisa estar integrado ao conteúdo.

E como enfrentar as questões éticas e desenvolver uma postura crítica em relação a essas mídias?
MARIA ELIZABETH
Da mesma forma que nos preocupamos com essas questões em todos os campos. A tecnologia não é uma exceção, até porque ela potencializa o trabalho com diversas mídias, com imagens e textos. Ela facilita a cópia, o plágio. Mas não que isso não existisse antes. O bom é que, assim como simplifica a fraude, também facilita a detecção. E o que nos cabe como educadores? Cabe ajudar o aluno a entender o que é ético para que ele possa se pautar por uma conduta adequada aos dias de hoje, mas baseado em princípios que sempre existiram. A única novidade é o meio.

Temos bons exemplos de currículos que já incorporaram a tecnologia?
MARIA ELIZABETH
Já temos várias iniciativas importantes no país, mas é preciso ter em mente que os resultados, em Educação, não vêm em um curto prazo. Os currículos estão se alterando hoje e a diferença será sentida daqui a algum tempo. Mas a hora da mudança é agora.

As pesquisas conseguem demonstrar o impacto do uso das tecnologias no aprendizado dos alunos?
MARIA ELIZABETH
É preciso trabalhar com a perspectiva de análise macro, pois ela é importantíssima para ter a ideia do que acontece no todo. Entretanto, é necessário fazer estudos de casos específicos porque assim é possível identificar as inovações, aquilo que aparece de mudança, o que há de diferente. Para detectar os fatores que levaram à aprendizagem, é preciso acompanhar o aluno por algum tempo. Às vezes, ele demonstra um rendimento muito bom, mas isso é anterior e não necessariamente está relacionado ao uso das TICs. É difícil pegar essas situações. Os exames nacionais e internacionais não são feitos para identificar esses aprendizados. Nós vivemos uma situação paradoxal. Os sistemas de ensino estão preocupados em desenvolver os alunos para que eles tenham autonomia para atuar em uma sociedade em constante mudança. Mas o ritmo das escolas é o oposto disso.

O que é preciso para que a tecnologia seja integrada ao currículo?
MARIA ELIZABETH
O currículo da sala de aula não é apenas o prescrito. Ele se desenvolve do que emerge das experiências de alunos e professores, do diálogo entre eles. Nesse sentido, o uso das TICs pode auxiliar muito porque, quando é desenvolvido um currículo mediatizado, é feito o registro dos processos e com essa base é possível identificar qual foi o avanço do aluno, quais as suas dificuldades e como intervir para ajudá-lo. Isso é pouco aproveitado ainda.

Uma recente pesquisa da Fundação Victor Civita (FVC) mostrou que 72% dos entrevistados não se sentem seguros em utilizar computadores na escola. A graduação não forma o professor para lidar com a tecnologia?
MARIA ELIZABETH
Não, a formação inicial não está dando conta disso. Temos vários estudos em que o professor reconhece que a tecnologia é importante e ele quer utilizá-la. Mas não é apenas porque tem pouco domínio que não a emprega. Para integrar as tecnologias, é preciso deter tanto o domínio instrumental como o conteúdo que deve ser trabalhado, as próprias concepções de currículo e as estratégias de aprendizagem. Tudo isso precisa ser integrado numa formação que alguns especialistas já chamam de "nova pedagogia".

Isso explica por que a pesquisa da FVC mostrou que 18% das escolas que têm laboratório de informática não usam o recurso com os alunos?
MARIA ELIZABETH
Provavelmente isso ocorre porque um único laboratório é muito pouco para dar conta da quantidade de alunos. Isso desestimula os professores, que, no máximo, conseguem levar a turma duas vezes por semana. Aí não se cria uma cultura de mudança e de integração da tecnologia com o currículo por total falta de tempo.
Há algum trabalho de formação para as TICs sendo feito hoje no país?
MARIA ELIZABETH
Tem havido muitos programas públicos de formação continuada, entretanto há uma rotatividade enorme dos professores e isso se perde. Precisamos investir na ampliação do acesso às tecnologias e, principalmente, nessa formação.

O que devem contemplar os cursos de formação de professores? Especialistas dizem que eles devem tratar de atividades ligadas aos conteúdos...
MARIA ELIZABETH
Não se pode separar forma de conteúdo. É preciso integrar o conteúdo à tecnologia, às estratégias de aprendizagem e às de ensino. Tudo isso precisa ser relacionado e analisado pelo professor. Mas é preciso cuidar da gestão desses programas de formação e principalmente da mediação pedagógica que ocorre nessa formação. Tanto as universidades públicas como as privadas precisam trabalhar com a realidade da sala de aula e estar comprometidas com a reflexão sobre a prática.

É possível para a escola acompanhar o ritmo de avanço das tecnologias?
MARIA ELIZABETH
Não é necessário que isso ocorra. O importante é que o professor tenha oportunidade de reconhecer as potencialidades pedagógicas das TICs e aí assim incorporá-las à sua prática. Nem todas as tecnologias que surgirem terão potencial. Outras inicialmente podem não ter, mas depois o quadro muda. Primeiro, é preciso utilizar para si próprio para depois pensar sobre a prática pedagógica e as contribuições que as TICs podem trazer aos processos de aprendizagem. Daí a importância dos programas de formação.

O ensino a distância é uma tendência ou apenas uma alternativa?
MARIA ELIZABETH
A Educação a distância não significa outra Educação. Educação a distância é Educação mediatizada por tecnologia. Quanto será presencial ou a distância, são as situações que vão dizer. Essa oposição entre uma e outra vai se perder. É possível ter Educação de qualidade a distância e sem qualidade na forma presencial, ou vice-versa. Não é a modalidade que garante a qualidade.

A ideia de um professor diante de um quadro falando para 30 alunos sentados, ouvindo e anotando em seu caderno tem futuro?
MARIA ELIZABETH
É uma coisa relativizada e não será abandonada. O professor detém um conhecimento científico maior e é absolutamente normal que ele exponha uma aula. Só que isso não pode ser um monólogo nem imperar o tempo inteiro. É fundamental que diferentes dinâmicas ocorram em sala de acordo com o projeto pedagógico.
Quer saber mais?
CONTATO
Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida


INTERNET
Livro Integração da Tecnologia na Educação, de Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida e José Manuel Moran.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Uma prática inclusiva nas escolas municipais de Itaberaba Ba

Partindo da premissa que Somos Todos Iguais e Especiais, saímos a campo para comprovarmos e também detectarmos os avanços, deficiências, necessidades e efetivação de métodos pedagógicos e curriculares que possam de fato nos tornar todos iguais.
Além de que observamos também a estrutura física que abriga os alunos tidos como “normais” e também aloja aqueles que são portadores de deficiência. Ao longo da nossa visita nos deparamos com Rodrigo Souza Macedo, aluno do 6º ano (5ª série) da Escola Municipal Novo Tempo, sendo ele portador de deficiência visual desde seu nascimento.
Após uma conversa com Rodrigo, pudemos detectar no que diz respeito ao uso de novas tecnologias, ele só sabe manusear o aparelho celular e o controle remoto, isso no ambiente da escola e também no seu convívio social, referente a uso de internet, ipad, computador, notebook... ele não manteve contatos efetivos e funcionais, exceto o computador que o mesmo já teve um único contato com a máquina após uma descrição feita por uma professora, onde a mesma o levou a toques no teclado e identificação das letras.
            O aluno também nos informou que o CEAPE – Centro de Apoio e Pedagogia Especial, além de proporcionar esse primeiro contato efetivo com o computador, lhe auxilia à aproximadamente 5 anos no turno oposto, nos seguintes dias da semana:
Segunda-feira à Aulas de Português e Matemática;
Terça-feiraà Orientação, Mobilidade e Prática da Vida Independente;
Quarta-feira à Português e Matemática;
            No seu dia-a-dia, apesar da alegria contagiante de Rodrigo e o espírito de superação que dele emana, as instalações da escola supracitada, não atende as necessidades do educando que relatou a ausência de degraus, porém a falta de corrimão nos locais devidos, uma vez que o mesmo precisa ser auxiliado pelos colegas e familiares para se locomover.
            No seu relacionamento interpessoal, Rodrigo granjeia amigos e conquista espaços pelo seu jeito cativante e extrovertido, mas o que chamou a nossa atenção foi à capacidade de vencer obstáculos, tal como: manter-se concentrado em um ambiente super populoso e barulhento, conseguindo captar todas as informações fornecidas pelos professores, o que lhe torna um estudante interessado, esforçado e compromissado com seus estudos.
            Nos momentos de lazer o aluno gosta de ler e nos informou que já leu alguns livros tais como: O doce de abóbora no tacho, As treze lendas brasileiras e no momento está lendo O Toque de Ouro, todos em Braille.
Após a nossa conversa e análise do ambiente físico percebemos a falta de uma arquitetura que de fato possa incluir a todos que são portadores de deficiências, haja vista que a proposta curricular precisa ser revisada e readaptada as reais necessidades destes alunos, não passando desapercebido a formação continuada desses professores que, não dispõem  de um suporte eficiente e atuante na intervenção junto a esse grupo de pessoas especialíssimas, pois, nos estimula a olhar o próximo com mais altruísmo e senso de possibilidade de constante mudança e superação.





Internet, uma prática inclusiva: compreendendo as TIC como elementos estruturantes do conhecimento.
“... meios audiovisuais deixam de ser apenas mais um instrumento didático, um auxiliar, um complemento, exigindo uma interação que permita, mais do que olhar imagens, decodificá-las, analisá-las e reconstruí-las visando à produção de novas mensagens e informações.”.
(COUTINHO, 1998)

No inicio da humanidade, levavam-se muitos dias e até meses para as mensagens enviadas chegarem. Essas eram enviadas por meios de comunicação muito rudimentares, que na maioria das vezes a notícia e/ou informação não chegava e se chegava o fato já havia acontecido. Neste contexto e com o passar dos anos a humanidade procurou mecanismos, meios de comunicação mais rápidos para que as notícias chegassem, no mínimo a tempo.
Assim, veio o telefone de Graham Bell, o rádio, o telegrama, a carta via Correio, a televisão, somente depois apareceram os telefones móveis: os chamados celulares e em tempos de tablet, ipad, smartphone, podemos destacar aqui a maior revolução dos meios de comunicação: a Internet .
 
Esta surgiu nos Estados Unidos, na época da Guerra Fria, abrigada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos através da Advanced Research Projects Agency (ARPA) e de lá até os dias de hoje a Internet só vem crescendo, sendo incalculáveis os números de computadores conectados a rede, uma vez que podemos navegar até mesmo pelos telefones celulares.
Segundo Barreto (2001), a Internet pode ser considerada entre outros elementos, uma tecnologia inteligente, já que sua presença é bastante significativa em nosso cotidiano, através dela realizamos: pesquisas, trabalhos escolares, assistimos filmes, lemos um livro, um gibi, uma noticia, compramos, realizamos transações bancárias, enviamos um email, enfim tudo isso sem sair de casa, basta estar conectado.
Para Lima Júnior apud Barreto (2001), a Internet exemplifica uma tecnologia intelectual porque [...] interfere na forma humana de pensar, desencadeando o surgimento de uma nova economia cognitiva e, por outro lado, porque possui uma estrutura que imita o funcionamento cognitivo humano, como uma rede.
Mas será que tanta acessibilidade é de fato para todos? Será que esta tecnologia inteligente atravessará os muros das escolas públicas do nosso país? Os professores realmente estão preparados para tanta tecnologia? E as pessoas com deficiência poderão usufruir deste elemento estruturante no processo de construção do seu conhecimento? É partindo destas reflexões que debruçaremos sobre o texto.
Para que isto verdadeiramente aconteça é necessário o que nos diz Coutinho (1998), uma alfabetização audiovisual. Porque alfabetização? Hoje não é mais um meio de comunicação para poucos, a Internet não está mais segregada como há dez anos. Quem ainda não tem Internet em casa, faz uso dela no trabalho, na escola ou na lan house. No entanto, é preciso avançar... é preciso que os “... meios audiovisuais deixem de ser apenas mais um instrumento didático, um auxiliar, um complemento, exigindo uma interação que permita, mais do que olhar imagens, decodificá-las, analisá-las e reconstruí-las visando à produção de novas mensagens e informações.”. Ou seja, faz-se necessário que o sujeito seja inserido neste universo digital e que construa novos saberes mediante a este turbilhão de informações.
E neste mundo cibercultural novos comportamentos de leitor e escritor estão surgindo, os textos agora são hipertextos (...) um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficas ou partes de gráficos, seqüências sonoras e documentos complexos. (LÉVI, 1993 p.33).
 E diante desta nova conjectura é relevante saber selecionar a melhor informação, ou seja, aquela que melhor corresponda a nossa expectativa. É preciso saber manejar os links e interpretar os textos contidos nos sites.
Não obstante, o leitor virtual pode também acessar várias páginas de relacionamento como: Messenger, Blogger, Orkut, YouTube, Facebook ,Twitter.... Permitindo que o mesmo, deficiente ou não, interaja com outras pessoas a longa distância, mediante debates, enquetes e/ou fóruns nas comunidades, não há limite para este meio de comunicação.
É a inserção do sujeito no universo digital, construindo/reconstruindo seus conhecimentos. As tecnologias de informação e comunicação, inteligentes ou assistivas precisam oferecer condições para que este meio de comunicação faça realmente sentido e seja parte do nosso cotidiano. Não dar mais para ficar de fora desta aldeia global/digital. Esta metarrede que segundo Pretto apud Barreto (2011), tem a função de interligar todas as outras redes existentes no mundo, de tal forma que seja possível um computador falar com os outros, mesmo utilizando sistemas operacionais diversos.
 Mas, como fica a instituição escolar neste novo contexto social, em que as tecnologias de informação e comunicação fazem parte do cotidiano dos alunos? A Escola está realmente preparada? Que/quais conteúdos devem estar presente no currículo para atender esta nova demanda?
Pensamos que as tecnologias, dentro de um projeto pedagógico inovador, facilitam e estimulam o processo de ensino-aprendizagem. Neste sentido, a internet introduz interatividade no aprendizado, propiciando o diálogo ativo com o mundo do conhecimento, apresentando informações através de um contínuo canal de escolhas individuais.
Então pensar na educação e na tecnologia é compreender acerca da aprendizagem que, ao invés de enfatizar conteúdos, resultados, quantidades de noções, informações e conceitos a serem memorizados, repetidos e copiados, reconhecem a importância do processo, de uma metodologia voltada para a qualidade da aprendizagem, que valoriza a pesquisa e os trabalhos em grupos. Isso implica em programas, em horários e em currículos mais flexíveis e adaptáveis às condições dos sujeitos, respeitando-se o ritmo individual e grupal do trabalho e o processo de acomodação do conhecimento.
            Portanto, assim como a sociedade e a educação se modificam com a inserção das tecnologias no seu contexto, os currículos também sofrem modificações, visto que a aprendizagem reconfigura a formação de um novo sujeito, que aprende a partir das interações com os outros sujeitos na construção de uma rede interativa de conhecimentos.
            Desta forma, a proposta curricular para o trabalho com as tecnologias deve atender às demandas da educação atual. A interatividade, a rede colaborativa de aprendizagem, o conteúdo didático, a identidade do educando são elementos constituintes desse novo currículo. Um trabalho que seja multirreferencial.
            O currículo dentro desta perspectiva torna-se aberto, interativo e transitório, aproxima-se das necessidades do educando a fim de promover um crescimento no seu conhecimento e na sua singularidade. Para esta estrutura, fundamenta-se uma concepção epistemológica do conhecimento que parte da ciência complexa, da verdade relativa e do constante movimento inter-relacional dos sujeitos com o mundo.
Assim, o currículo dentro das novas tecnologias do processo ensino-aprendizagem pode possibilitar uma educação que transcenda as fronteiras sociais, políticas e econômicas existentes na nossa sociedade. Porém temos em mente que, não será única e exclusivamente as mídias que proporcionarão mudanças. É necessário um repensar coletivo e colaborativo, por parte dos sujeitos da aprendizagem, para a superação da condição de alienação e exclusão social na qual grande parte da população se encontra.
            Portanto conclui-se que, a nova tecnologia nos permite navegar e determinar caminhos a seguir de acordo com os nossos interesses e nosso próprio ritmo. Enfim, é descoberta, é pesquisa, é conhecimento, é participação, sensibilizando assim, para novos assuntos, novas informações, diminuindo a rotina e nos ligando com o mundo, trocando experiências entre si, comunicando-se, enfim, educando-se.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARRETO, Edna Soares. A escola e as tecnologias inteligentes. In:______.Educação e Cibercultura. Salvador: EDUFBA, 2001.

COUTINHO. Laura. Televisão de mão dupla. In: TV e Informática na Educação. Série de Estudos Educação a Distância. Salto para o Futuro. . Brasília: Ministério da Educação e Cultura: Secretaria de Educação a Distância, 1998.

LÈVY, Pierre. As tecnologias da Inteligência – o futuro da inteligência coletiva na era da informática. Tradução Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

DEMARCAÇÃO HISTÓRICA DE PESSOA COM DEFICIENCIA

TEXTO: Integração x Inclusão: Escola (de qualidade) para Todos, de Maria Teresa Eglér Mantoan
CARACTERÍSTICAS:
ASPECTOS EDUCACIONAIS E SOCIAIS
INTEGRAÇÃO à No sistema de integração vai depender da adaptação do aluno às opções do sistema escolar. Nesse espaço, nada se questiona tudo se mantem.
A escola acolhe a criança e não está preocupada com a escolarização da mesma, o que é dever da escola; garantir o aprendizado dos alunos nela inserida.

INCLUSÃO à Mantoan deixa claro que o objetivo da inclusão é não deixar ninguém de fora do sistema escolar, ela propõe um modo de se constituir o sistema educacional, considerando as necessidades de todos os alunos, ou melhor, não só os alunos com necessidades, mas também, professores, alunos, administradores, enfim, todos que estão diretamente ligados nesse sistema.

INTEGRAÇÃO à
·        Instalar uma classe especial em uma escola regular nada mais é do que uma justaposição de recursos, assim como o são outros, que se dispõem do mesmo modo de segregação;
·         Alunos agrupados em escolas especiais para deficientes, ou mesmo em classes especiais, grupos de lazer, residências para deficientes, segrega, mas não inclui;

INCLUSÃO à
·        Respeita os educandos em sua individualidade;
·        O aprimoramento da qualidade do ensino regular e a adição de princípios educacionais válidos para todos os alunos resultarão naturalmente na inclusão escolar dos deficientes;
·        A adequação de novos conhecimentos oriundos das investigações atuais em educação e de outras ciências às salas de aula, às intervenções tipicamente escolares, que têm uma vocação institucional específica de sistematizar os conhecimentos acadêmicos, as disciplinas curriculares, caracteriza-se na inclusão;
·         Favorece o "ambiente o menos restritivo possível", dando oportunidade ao aluno, em todas as etapas da integração, transitar no "sistema", da classe regular ao ensino especial.
·        Inclui um aluno ou um grupo de alunos que já foram anteriormente excluídos;    
·        Apoia a todos: professores, alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.
·         Na inclusão, as crianças se desenvolvem, aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado;

domingo, 30 de outubro de 2011

Eu recomendo

Uma formiguinha não consegue se adaptar a nenhuma escola. Os pais procuram ajuda de especialistas, que não conseguem resolver o problema. Um dia , a avó pensa que o problema não seja a formiguinha, mas a escola. E daí, como fazer?

Livro dedicado a todas as "formiguinhas" que precisam de liberdade para "dar asas à imaginação".

PSICOLOGIA E PRÁTICAS EDUCATIVAS PARA INCLUSÃO

O objetivo desse trabalho foi detectar como se dá o processo educacional dos alunos com surdez, analisando o processo de comunicação e a relação entre professor e alunos ouvintes com o aluno surdo, de forma que pudéssemos compreender como os mesmos são recebidos nas escolas regulares, e se estas realmente se enquadram como escolas inclusivas.
Como alvo desse estudo focalizamos a Escola Municipal Novo Tempo, uma vez que um dos integrantes do grupo, leciona nesta unidade de ensino e  sendo conhecedor da realidade local facilitaria a realização da entrevista. Assim, entrevistamos a professora Aline Santos da Silva, que trabalha com alunos do EJA 3ª e 4ª série e a intérprete de LIBRAS, Rosana Cardoso de Souza Bastos, atuante da Escola supracitada e também do CEAPE – Centro Educacional de Apoio Pedagógico.
O momento da análise de dados foi essencial para elaboração do texto, pois foram a partir dos mesmos que tivemos a oportunidade de nos encontrarmos diante da realidade dos alunos surdos. Tanto a fala da intérprete como da professora contribuíram de forma relevante para a realização deste trabalho, uma vez que a tomamos como referência para entendermos como se dá o ensino nesta escola dita inclusiva.
Dentre as perguntas feitas sobre a inclusão e integração, a professora conceitua os termos, entretanto percebemos um pré-conceito ao caracterizá-los atribuindo seus juízos de valor aos mesmos, já a interprete pelo fato de trabalhar em duas instituições, uma regular e a outra especial, também consegue conceituar os termos diferenciando-os em suas categorias especificas.
 Ao questioná-las sobre o que acontece na instituição se é integração ou inclusão, a professora considera que ocorre a inclusão, talvez por conta da presença do intérprete e a participação do surdo no ambiente educacional e porque os alunos são tratados de forma igual dentro de sua limitação, porém não é possível comparar as informações da professora com a da interprete, pois a mesma apenas faz citação da escola especial.
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 Portanto, com base nos estudos ao longo do curso, podemos afirmar que o fato da presença do intérprete não é garantia de inclusão, é necessário que a escola inclusiva tenha como pré-requisito a mudança de sua proposta educacional, tendo em vista adaptações curriculares necessárias à educação.
Tratando do relacionamento dos alunos surdos com os ouvintes, a intérprete torna fazer referencia a escola especial, onde trabalha com alunos surdos, por outro lado a professora afirma que no início foi difícil, mas, hoje eles se relacionam bem, utilizando sinais na comunicação, entretanto, não foi apontado pela professora se esses sinais são gestos ou a Língua Brasileira de Sinais.
Ao perguntar as entrevistadas como o intérprete contribui no processo de ensino-aprendizagem dos alunos com surdez, a professora Aline, afirmou que a intérprete sempre contribui na elaboração das atividades, sendo estas as mesmas dos alunos ouvintes. No entanto, a interprete diz  que mediante a esta adaptação, tenta proporcionar uma sensação de conforto para os alunos surdos.
Quanto aos recursos didático-pedagógicos e os critérios avaliativos para trabalhar com os alunos surdos, a professora afirmou que não existem recursos adequados para trabalhar com esta deficiência, o que dificulta o trabalho, no entanto procura avaliá-los considerando suas limitações. Já a intérprete, a mesma diz  faz uso de recursos multifuncionais, no entanto, não conseguimos identificar a qual instituição ela se refere, uma vez que não especifica durante a entrevista.  Em relação aos critérios avaliativos, a mesma novamente faz referência à escola especial, informando que na instituição não existe este processo de atribuição de  notas, “todos os dias procuramos desenvolver atividades que contribua com a superação das dificuldades dos alunos.”
Fazendo uma análise mais profunda e detalhada da posição das entrevistadas e das discussões em sala relacionadas à inclusão do aluno surdo, podemos afirmar que, infelizmente a inclusão nesta escola de ensino regular do município de Itaberaba ainda não esta sendo efetivada, pois é necessário que haja várias mudanças como: propostas de adaptação curricular, planejamento e avaliações, utilização de diferentes recursos, bem como o uso da LIBRAS por toda a comunidade escolar.
Para a implantação de uma proposta educacional inclusiva é necessário que se pense em formação continuada, que deveria ser proporcionada pelo município, pois os professores acreditam que o fato de o aluno surdo está na sala de aula e a presença da intérprete, é o que garante a inclusão dos mesmos e isto não basta, é preciso pensar também em políticas públicas que venha atender esta demanda na proporção que todos lutem por uma educação de igualdade e qualidade. 

















Entrevista com Professores da Rede Municipal de Itaberaba

ENTREVISTAS: As entrevistas foras transcritas na íntegra.

NOME DO ENTREVISTADO: ALINE SANTOS DA SILVA
FUNÇÃO: PROFESSORA
INSTITUIÇÃO QUE TRABALHA: ESCOLA NOVO TEMPO
TIPO DE DEFICIÊNCIA A QUAL TRABALHA: DEFICIÊNCIA AUDITIVA
PÚBLICO: ADULTOS – 3ª E 4ª SÉRIE DO EJA

1 – O QUE VOCÊ ENTENDE POR INCLUSÃO E INTEGRAÇÃO?
Inclusão é você incluir o aluno em determinadas atividades, integração é quando o aluno consegue interagir no meio que vive dentro da sua limitação.

2 – NO ESPAÇO ESCOLAR EM QUE VOCÊ ATUA ACONTECE A INCLUSÃO OU A INTEGRAÇÃO?
            Acontece o ato de incluir, porque eles são tratados de formas iguais dentro de sua limitação.

3 – COMO SE DÁ O RELACIONAMENTO DOS ALUNOS COM SURDEZ E OS OUVINTES?
            No começo foi um pouco difícil eles aceitarem, mas, hoje eles se relacionam muito bem com os alunos especiais através de sinais.

4- EXISTE UM INTERPRETE EM SUA SALA?
            Sim.

5- COMO O INTÉRPRETE CONTRIBUI NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DO EDUCANDO SURDO?
            Ela está sempre contribuindo com a elaboração das atividades, os alunos surdos fazem as mesmas atividades dos ouvintes, porém adaptada.

6 – SE NÃO HÁ INTERPRETE, DE QUE FORMA VOCÊ SE COMUNICA COM O ALUNO SURDO?
            Há interprete.

7- NA SUA ESCOLA HÁ RECURSOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS COM TECNOLOGIA ADEQUADA PARA ESSA DEFICIÊNCIA?
            Infelizmente não, por isso o educando sente dificuldade, para trabalhar com os alunos não tem suporte adequado.

8 – QUAIS ATIVIDADES E/OU INTERVENÇÕES VOCÊ UTILIZA PARA TRABALHAR COM O ALUNO SURDO?
            Não tem atividades de intervenções, porque os alunos fazem as mesmas atividades dos ouvintes, por falta de recursos adequados.

9- QUE CRITÉRIOS AVALIATIVOS VOCÊ LANÇA MÃO PARA AVALIAR O ALUNO COM SURDEZ?
            Apesar de não ser cobrada a língua portuguesa, para os alunos costuma avaliar dentro da sua limitação o que eles conseguem elaborar as atividades com sucesso.


NOME DO ENTREVISTADO: ROSANA CARDOSO DE SOUZA BASTOS
FUNÇÃO: INTERPRETE DE LIBRAS
INSTITUIÇÃO QUE TRABALHA: ESCOLA NOVO TEMPO
TIPO DE DEFICIÊNCIA A QUAL TRABALHA: DEFICIÊNCIA AUDITIVA
PÚBLICO: ADULTOS – 3ª E 4ª SÉRIE DO EJA

1 – O QUE VOCÊ ENTENDE POR INCLUSÃO E INTEGRAÇÃO?
            Inclusão – processo de incluir ou fazer parte de um grupo como um todo.
            Integração – consiste em adaptar ou incorporar um indivíduo para que ele venha fazer parte de um grupo.

2 – NO ESPAÇO ESCOLAR EM QUE VOCÊ ATUA ACONTECE A INCLUSÃO OU A INTEGRAÇÃO?
            Dentro do meu espaço de trabalho, trabalhamos com o intuito de incluir os portadores na sociedade. Através de metodologias que possibilita os alunos compreender o mundo que o cerca. Como é uma instituição que trabalha apenas com a educação especial, a mesma trabalha em momentos com a inclusão e outros com a integração.

3 – COMO SE DÁ O RELACIONAMENTO DOS ALUNOS COM SURDEZ E OS OUVINTES?
            Trabalho apenas com os surdos, todos os dias aprendo com o meus alunos, haja vista, que sou ouvinte, tentando entender o universo deles e procurando fazer a ponte entre os dois extremos (mundo ouvinte X mundo surdo).

4- EXISTE UM INTERPRETE EM SUA SALA?
            Sou a tradutora na rede regular de ensino.

5- COMO O INTÉRPRETE CONTRIBUI NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM DO EDUCANDO SURDO?
            Procuro o máximo fazer os surdos se sentirem bem no espaço onde a maioria dos alunos são ouvintes.

6 – SE NÃO HÁ INTERPRETE, DE QUE FORMA VOCÊ SE COMUNICA COM O ALUNO SURDO?
           
7- NA SUA ESCOLA HÁ RECURSOS DIDÁTICO-PEDAGÓGICOS COM TECNOLOGIA ADEQUADA PARA ESSA DEFICIÊNCIA?
            No CEAPE temos os recursos que podemos dizer que não é o real, mas que podemos através do compromisso profissional desenvolver um bom trabalho.

8 – QUAIS ATIVIDADES E/OU INTERVENÇÕES VOCÊ UTILIZA PARA TRABALHAR COM O ALUNO SURDO?
            Trabalho com a LIBRAS – língua oficial dos surdos, toda aula adepto os materiais para a LIBRAS (utilizo TV, notebook, vídeos, cartazes, quadro, jogos...)

9- QUE CRITÉRIOS AVALIATIVOS VOCÊ LANÇA MÃO PARA AVALIAR O ALUNO COM SURDEZ?
            Na instituição não existe este processo de atribuir notas, todos os dias procuramos desenvolver atividades que contribua com a superação das dificuldades dos alunos.